Monte Verde fora do feriado — aí, sim
uma cabana longe do centro, dois cafés pra manhã fria e a trilha que eu quase troquei pela lareira. três dias na versão mais gostosa do clássico.
Monte Verde pode ser aconchegante ou cansativa, e a diferença começa em duas escolhas pouco poéticas: a data e a distância da avenida principal. fomos em junho, de quinta a domingo, sem feriado no caminho. teve frio, céu estrelado, lareira e café bom. teve espaço também — talvez o luxo mais subestimado da serra.
a cabana
quanto mais perto da avenida principal, mais barulho e menos céu. nossa cabana ficava dez minutos acima do centro, com lareira, banheira e uma varanda em posição privilegiada pro pôr do sol. pela manhã: esquilo no corrimão, geada no gramado e nenhuma urgência. fora de feriado, a diária foi honesta; no feriado, passava do dobro. vale usar um dia de folga pra economizar tanto? no nosso caso, a conta respondeu antes da gente.
cafés
dois cafés organizaram nossas manhãs. um, de inspiração alemã, servia strudel e um chocolate quente que quase exigia colher — ótimo pra chuva. o outro ficava na subida do platô, com coado da região e pão na chapa antes da trilha. também provamos o mais anunciado da avenida. muita placa, muita fila, pouco motivo pra voltar.
o passeio que eu quase pulei
a trilha do Chapéu do Sol quase perdeu pra lareira — uma adversária difícil num fim de tarde frio. fui resmungando e voltei quieta. lá de cima, o vale muda de cor enquanto a Mantiqueira vira recorte. a trilha é curta, embora suba com convicção; leve lanterna se quiser ficar até a luz terminar. e eu ficaria. de que outra forma a preguiça teria virado a melhor memória da viagem?
Monte Verde melhora quando a avenida fica longe e o vale, perto.
no guia gratuito, reuni as cabanas por faixa de preço, os dois cafés e a trilha. também deixei o que eu evitaria no feriado, caso essa seja a única data possível.



