um fim de semana em Cunha, entre cerâmica e lareira
dois dias com pouco compromisso, muito café e uma pousada que mudou o ritmo da viagem. Cunha fica melhor quando você para de tratá-la como caminho pra Paraty.
Cunha fica entre São Paulo e Paraty e, por muito tempo, eu a tratei como vírgula. então paramos. foram dois dias de julho, com frio, céu limpo e pouquíssimos compromissos. quando foi que uma viagem com menos planos começou a parecer luxo? provavelmente quando acendemos a lareira e percebemos que não havia nada atrasado.
a pousada
a lareira ficava dentro do quarto, o que mudou menos a temperatura do que o ritmo. de manhã, acendíamos o fogo e levávamos o café até a vista do jardim. pão feito ali, bolo de milho, queijo da região — nada performático, tudo muito bem colocado. não foi a diária mais barata de Cunha. foi uma das raras em que o preço deixou de ser assunto assim que chegamos.
cerâmica: onde ir mesmo
Cunha é referência em cerâmica de alta temperatura, mas uma loja e um ateliê contam histórias muito diferentes. fora do centro, você encontra forno noborigama — o japonês, a lenha, construído na encosta — e artista trabalhando a poucos passos. algumas queimas acontecem só poucas vezes por ano. comprar direto ali não é apenas levar uma peça; é finalmente entender por que ela tem aquele preço, aquela cor e nenhuma outra igual.
às vezes a cidade que parecia caminho só estava esperando a gente parar.
o que mais rendeu
- →o lavandário no fim de tarde, com a serra roxa de lavanda e cheiro que fica na roupa.
- →o pão artesanal da padaria do centro, que esgota antes do meio-dia de domingo.
- →a estrada de Cunha pra Paraty, um dos trechos mais bonitos do sudeste. vale ir um pedaço só pela vista.
o que dá pra pular sem culpa
eu evitaria o centrinho no almoço de sábado, quando a cidade inteira parece receber a mesma notificação. também pularia as lojas sem ateliê, que revendem peças de fora. no resto, basta pouco: uma pousada com lareira, dois ateliês e o lavandário. o fim de semana faz o favor de se montar quase sozinho.



