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diário·Nº 11Cunha · mantiqueira · 2 dias·jul · 2025·7 min de leitura

um fim de semana em Cunha, entre cerâmica e lareira

dois dias com pouco compromisso, muito café e uma pousada que mudou o ritmo da viagem. Cunha fica melhor quando você para de tratá-la como caminho pra Paraty.

Aescrito por Aline · quem foi, conta

Cunha fica entre São Paulo e Paraty e, por muito tempo, eu a tratei como vírgula. então paramos. foram dois dias de julho, com frio, céu limpo e pouquíssimos compromissos. quando foi que uma viagem com menos planos começou a parecer luxo? provavelmente quando acendemos a lareira e percebemos que não havia nada atrasado.

a pousada

a lareira ficava dentro do quarto, o que mudou menos a temperatura do que o ritmo. de manhã, acendíamos o fogo e levávamos o café até a vista do jardim. pão feito ali, bolo de milho, queijo da região — nada performático, tudo muito bem colocado. não foi a diária mais barata de Cunha. foi uma das raras em que o preço deixou de ser assunto assim que chegamos.

cerâmica: onde ir mesmo

Cunha é referência em cerâmica de alta temperatura, mas uma loja e um ateliê contam histórias muito diferentes. fora do centro, você encontra forno noborigama — o japonês, a lenha, construído na encosta — e artista trabalhando a poucos passos. algumas queimas acontecem só poucas vezes por ano. comprar direto ali não é apenas levar uma peça; é finalmente entender por que ela tem aquele preço, aquela cor e nenhuma outra igual.

às vezes a cidade que parecia caminho só estava esperando a gente parar.

o que mais rendeu

  • o lavandário no fim de tarde, com a serra roxa de lavanda e cheiro que fica na roupa.
  • o pão artesanal da padaria do centro, que esgota antes do meio-dia de domingo.
  • a estrada de Cunha pra Paraty, um dos trechos mais bonitos do sudeste. vale ir um pedaço só pela vista.

o que dá pra pular sem culpa

eu evitaria o centrinho no almoço de sábado, quando a cidade inteira parece receber a mesma notificação. também pularia as lojas sem ateliê, que revendem peças de fora. no resto, basta pouco: uma pousada com lareira, dois ateliês e o lavandário. o fim de semana faz o favor de se montar quase sozinho.

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