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diário·Nº 10Buenos Aires · 48h·mai · 2025·8 min de leitura

48 horas em Buenos Aires, com tempo pra caminhar sem GPS

uma base em Palermo, duas manhãs de café e uma parrilla de bairro. não dá pra conhecer a cidade inteira num fim de semana — ainda bem.

Aescrito por Aline · quem foi, conta

Buenos Aires em 48 horas é pouco. por que fingir o contrário? em vez de cruzar a cidade atrás de uma lista, escolhemos uma base boa, caminhamos muito e voltamos à mesma rua mais de uma vez. não conheci Buenos Aires inteira. conheci um pedaço com intimidade suficiente pra sentir saudade.

o bairro base

Palermo virou nossa base porque o bairro permite resolver o dia a pé: café, feira, livraria, jantar e bar no caminho de volta. suas ruas arborizadas têm uma habilidade rara de fazer o GPS parecer deselegante. Recoleta merece a visita — cemitério e El Ateneo incluídos —, mas Palermo ganhou como casa temporária. viagem curta precisa de uma rua em que você reconheça a esquina.

parrilla que vale

a parrilla mais famosa da cidade exige meses de antecedência e uma fé considerável no planejamento. fomos a uma de bairro, em Palermo: toalha quadriculada, parrillero íntimo da brasa, bife de chorizo no ponto e provoleta desistindo da própria forma. a garrafa de malbec custou o que São Paulo cobraria pelo começo da conversa. como escolher? cardápio com bandeira e foto costuma falar mais alto que a comida. eu procuraria a mesa ocupada por quem janta às dez.

uma cidade também se conhece quando você decide voltar à mesma mesa.

o café que salva a manhã

o café de especialidade está por toda parte, mas a medialuna com café continua sendo um ritual que não precisa de atualização. no primeiro dia, escolhemos uma casa nova em Palermo; no segundo, um café notável no centro, com garçom de gravata e tempo próprio. qual é melhor? ainda bem que a cidade não exige essa resposta.

as ciladas que a gente evitou

  • Caminito: vale a foto, não vale a tarde. quarenta minutos resolvem.
  • tango show de jantar caro: melhor uma milonga de verdade, onde quem dança é a cidade.
  • trocar dinheiro sem pesquisar: a diferença entre o câmbio oficial e o paralelo muda o orçamento da viagem inteira.
  • Florida Street: corredor de câmbio e loja de rede. atravesse, não passeie.

um detalhe que facilitou tudo foi chegar com internet. instalamos o eSIM do Airalo ainda no Brasil e não dependemos de wi-fi pra pesquisar câmbio ou achar uma mesa. é link afiliado: se você comprar por ele, o radar recebe uma comissão, sem custo extra pra você.

48 horas dão pra isso: um bairro bem vivido, uma parrilla honesta, dois cafés e muita calçada. Buenos Aires inteira não cabe num fim de semana, mas a vontade de voltar cabe na mala.

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